Quarta-feira, 10.07.13

Da ciência

A 4 de Julho, há quase uma semana, a Ordem dos Psicólogos apresentou na Assembleia da República um relatório intitulado "Relatório de Evidência Científica Psicológica sobre Relações Familiares e Desenvolvimento Infantil nas Famílias Homoparentais".

 

As conclusões são claras e fundamentadas na bibliografia publicada. Vou citar algumas das conclusões. 

"É consensual que não existem diferenças entre as crianças provenientes de famílias homoparentais e as crianças provenientes de famílias heteroparentais no que diz respeito a aspectos desenvolvimentais, cognitivos, emocionais, sociais e educacionais.

(...)

Em resumo, as evidências científicas apontam nas seguintes direcções

- Não existe base científica para afirmar que os homossexuais femininos e masculinos não são capazes de criar e educar crianças saudáveis e bem-ajustadas; 

- Não existe fundamentação científica para concluir que os pais homossexuais ou as mães homossexuais não serão bons pais/mães apenas com base na sua orientação sexual; 

- Mulheres homossexuais e heterossexuais partilham abordagens semelhantes na educação de uma criança; os pais homossexuais não são diferentes dos pais heterossexuais no que diz respeito à sua capacidade parental e de promover um desenvolvimento saudável de uma criança. 

(...)

As evidências científicas sugerem então que decisões importantes sobre a vida de crianças e adolescentes (como a determinação da co-adopção) sejam tomadas não com base na orientação sexual dos pais, mas na qualidade das suas relações com os pais."

Estas conclusões inequívocas colidem de forma grosseira com as conclusões de Abel Matos Santos no seu artigo de 6 de Junho, no jornal i, transcrito por João Távora aqui

"Ora a vasta literatura científica apontava que assim não fosse, mas os recentes estudos mostram cada vez de forma mais evidente que as diferenças existem e são significativas.

(...)

Os resultados não deixam margens para dúvidas. As crianças criadas por pessoas do mesmo sexo têm resultados significativamente piores nas dimensões sociais, emocionais e relacionais.

Já não se pode dizer que é a mesma coisa para uma criança crescer numa família natural heterossexual ou crescer numa família monossexual."

Espero que Abel Matos Santos tenha a oportunidade de criticar o relatório elaborado pela Ordem dos Psicólogos que desautoriza contundentemente os seus argumentos. Termino citando-o: 

"Agora que o debate em torno da co-adopção e da adopção por famílias monossexuais está lançado, começam a surgir de forma evidente as motivações de cada lado e naturalmente os estudos sobre o assunto."

publicado por Rui C Pinto às 19:03 | link | indultar
Segunda-feira, 03.06.13

O elo mais ignorante, sem dúvida

"O que se viu naquele programa da RTP foram exercícios de manipulação, de intolerância e de vitimização por parte dos defensores dessa lei e quem manifestou opiniões contrárias foi sumariamente apelidado de "ignorante" ou então brindado com estridentes risadas de escárnio. Eu próprio fui, no final do programa, veementemente apelidado de ignorante pelo líder da seita e por algumas histéricas seguidoras que o rodeavam."

Fui um dos que teve oportunidade, no final do programa Prós e Contas, de alertar o senhor bastonário para a ignorância com que falou do tema. E nem preciso ir mais longe: basta lembrar a trapalhada que engendrou quando procurava alarmar as pessoas para a possibilidade de uma criança poder vir a ter três ou mais pais, como consequência da aplicação desta lei. Tamanha tonteria e ignorância da lei mereceu, obviamente, estridentes risadas por parte da plateia e mereceu-me obviamente o reparo no final do programa. Sou, portanto, uma "histérica seguidora" mas, infelizmente para o Sr. Bastonário, tenho toda a razão.

publicado por Rui C Pinto às 18:57 | link | indultar | cuscar indultos (4)
Quarta-feira, 29.05.13

Prós e Contras

Estive lá, do lado do bom senso, para dar a cara por uma causa que merece empenho, pelo bem das crianças que dela beneficiarão.

 

Não tive oportunidade de intervir. Ou falavam todos os inscritos ou o senhor bastonário, não havia tempo para tudo. O que tinha para dizer era muito menos relevante que o testemunho de quem luta por estas causas diariamente, como a Margarida Lima Faria, ou de quem sofre na pele a injustiça da actual lei como a Elizabete Pereira e a Luisa Ferreira.

 

Não posso deixar de registar a fraquíssima qualidade de argumentação de quem alinhou pelo contra. Luís Villas-Boas, confessou-se adepto da lei, desde que se chame outra coisa, reavivando o velho argumento da nomenclatura usado no debate do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Pedro Madeira Rodrigues lembrou a lógica do seu filho adoptado de seis anos, que infelizmente vem educando à imagem dos seus lamentáveis preconceitos. Marinho Pinto esgrimiu o derradeiro argumento da lei da natureza, o que seria cómico, não fosse Marinho Pinto Bastonário da Ordem dos Advogados. Por último, resta registar com agrado a intervenção de Abel Matos Santos, que passo a citar:

"acho que o debate deve ser centrado numa questão essencial que é: perceber primeiro, antes de legislar e de decidir, se, isto que está a ser proposto, é bom, é pior ou é igual para as crianças. se for bom ou igual, muito bem. se os estudos mostrarem que é mau, que é pior, então temos que repensar. isto é que é importante. isto é que é o superior interesse da criança"

(transcrito daqui)

Tão simples! Basta seguir as recomendações das associações profissionais que estudam e produzem ciência nesta matéria e das instituições que todos os dias trabalham na defesa do interesse das crianças: 

 

- Instituto de Apoio à Criança:

"O Instituto de Apoio à Criança entende que a aprovação hoje no Parlamento, da Lei que permite a co-adoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo se traduz numa vantagem para as crianças na medida em que protege relações afetivas relevantes."

- American Psychological Association, de que é membro o Doutor Luís Villas-Boas (como lembrou durante o programa):

"There is no scientific basis for concluding that lesbian mothers or gay fathers are unfit parents on the basis of their sexual orientation (Armesto, 2002; Patterson, 2000; Tasker & Golombok, 1997). On the contrary, results of research suggest that lesbian and gay parents are as likely as heterosexual parents to provide supportive and healthy environments for their children.

(...)

Therefore be it further resolved that the APA believes that children reared by a same-sex couple benefit from legal ties to each parent;

Therefore be it further resolved that the APA supports the protection of parent-child relationships through the legalization of joint adoptions and second parent adoptions of children being reared by same-sex couples;"

- American Academy of Pediatrics:

"Children who are born to or adopted by 1 member of a same-sex couple deserve the security of 2 legally recognized parents. Therefore, the American Academy of Pediatrics supports legislative and legal efforts to provide the possibility of adoption of the child by the second parent or coparent in these families.

(...)

The American Academy of Pediatrics recognizes that a considerable body of professional literature provides evidence that children with parents who are homosexual can have the same advantages and the same expectations for health, adjustment, and development as can children whose parents are heterosexual.19 When 2 adults participate in parenting a child, they and the child deserve the serenity that comes with legal recognition."

- American Psychiatric Association (de 2002!!, Adoption and co-parenting of children by same-sex couples):

"Numerous studies over the last three decades consistently demonstrate that children raised by gay or lesbian parents exhibit the same level of emotional, cognitive, social, and sexual functioning as children raised by heterosexual parents. This research indicates that optimal development for children is based not on the sexual orientation of the parents, but on stable attachments to committed and nurturing adults.

(...)

The American Psychiatric Association supports initiatives which allow same-sex couples to adopt and coparent children and supports all the associated legal rights, benefits, and responsibilities which arise from such initiatives."

publicado por Rui C Pinto às 20:58 | link | indultar
Quinta-feira, 23.05.13

Resposta a Abel Matos Santos

Foi com muito gosto que li a resposta de Abel Matos Santos, através do João Távora no corta-fitas, ao meu post de ontem onde analisei uma das referências bibliográficas que apresentou para sustentar os argumentos que esgrimiu neste artigo. Argumentos que, alegadamente, sustentam científicamente a sua oposição à lei de co-adoção aprovada recentemente pela Assembleia da República. 

 

Antes de mais saúdo a sua resposta como uma manifestação de boa vontade e de abertura ao contraditório. Vou cingir-me à ciência indo de encontro ao seu apelo no artigo que publicou no público. Como compreenderá, não levarei em consideração as suas referências 5 e 7. A referência 5 remete para um trabalho da jornalista e activista Dale O'Leary, correspondente de várias revistas católicas. Reconhecerá, certamente, como grosseira a citação de um trabalho de puro activismo religioso num debate científico, dada a total ausência de objecitividade da autora que não poupa nas intenções que motivam o seu trabalho, e cito: 

"The battle over gay marriage is but one part of a larger war against traditional morality and religion, and this war won't end even when the issue is settled"

Por outro lado, a citação 7 remete para uma entrevista cujo conteúdo nada releva ao debate em questão, na medida em que nem sequer o aborda directamente, sendo a conclusão que retira no seu post um exercício de interpretação subjectiva.

 

Considero que no post que lhe dirigiu, a Ana Matos Pires levantou dúvidas pertinentes em relação a Richard Fitzgibbons que descredibilizam o autor neste debate. É, por isso, preocupante que o qualifique como “um dos maiores psiquiatras americanos” sendo que este, como lembra a Ana, defende a utilização de prática "clínica" formal e deontologicamente condenada enquanto membro de uma organização fundamentalista desprezada pela comunidade científica norte-americana:

"While religious-right circles look upon NARTH as experts on the LGBT community, the mainstream scientific community pretty much ignores the group's research, and with good reason. Truth Wins Out calls NARTH "a discredited 'ex-gay' fringe organization that peddles fraudulent 'cures' for homosexuality.""

Pergunto-lhe se considera o tratamento da homossexualidade uma prática clínica válida e se subscreve as terapias propostas por Richard Fitzgibbons e seus associados:

"NARTH therapists have been known to practice rubber band therapy, where a gay client is made to wear a rubber band and snap it on his wrist when sexually stimulated. It is a mild form of aversion therapy meant to "snap" the client out of the moment of attraction. NARTH members have also been known to practice "touch therapy", where a client sits in the therapist' lap for up to an hour, while the therapist caresses him."

Repare que é absolutamente fundamental ao debate esclarecido fundamentar os argumentos em ciência. Nesse sentido, é grave que se baseie num profissional que não é reconhecido pelos seus pares e que defende práticas condenadas deontologicamente. 

É até caricato que cite o estudo "Adult attachment style dimensions in women who have gay or bisexual fathers", na sua referência 9, da autoria de Theodora Sirota. Este mesmo estudo levou a investigadora a denunciar publicamente Fitzgibbons por este ter distorcido os seus resultados para fundamentar a sua oposição ao casamento homossexual. Pode ler o comunicado na íntegra aqui, de onde realço:

“It has come to my attention that Dr. Fitzgibbons mis-reported and misrepresented the results of my 2009 research in this blog. I wish to clarify the findings, conclusions and implications of my study for the record.

(...)

My study was only about women raised in the context of heterosexually-organized marriages where fathers were identified as gay or bisexual. My research was not about and did not measure anything in women raised by gay parent couples or by single gay fathers. The women I studied were not raised in the context of gay or lesbian partnerships or by single gay fathers actively rearing their children.Therefore, no conclusions about gay or lesbian fitness to adopt children or quality of active gay parenting can be drawn from the findings of my research. No conclusions about the well-being of children who are or were actively raised by gay or lesbian parents can be drawn from the findings of my research.”

Repare que as conclusões que retira deste estudo, no seu post, justificariam o repúdio da autora, pelo que o desafio a reconsiderar a análise que fez dessa referência.

 

A opinião pessoal, baseada em motivação religiosa, política ou de qualquer índole é aceitável e salutar num debate livre e democrático. No entanto, não posso deixar de lhe fazer um reparo. A calma e cordialidade que lhe revestem as palavras não projectam bondade e benevolência na sua mensagem. Pede-me que não acuse ou maltrate os outros e faz contraditório, de forma subtil é certo, ao meu "fundamentalismo" enquanto "engenheiro social". No entanto, e como expus neste texto é o Abel Matos que sustenta a sua opinião em cientistas de credibilidade contestada e/ou reconhecidos activistas católicos e homofóbicos. Procurar revestir essa opinião de fundamentação científica é grave, preocupante e merece denúncia. 

 

Na verdade, do ponto de vista estritamente científico, não há evidência que sustente uma posição pro- ou anti- co-adopção por homossexuais, já que, como bem refere no seu post, 

"Argumenta-se com frequência que não está provado de que seja prejudicial para as crianças serem criadas por dois homens homossexuais. Esta firmação é verdadeira, no entanto, esta falta de provas não leva necessariamente à conclusão de que tal não é prejudicial para as crianças. Significa que não está provado."

não está provado que a homoparentalidade prejudique as crianças. Tão pouco que as beneficie. O que vai de encontro ao artigo de revisão que citei no post anterior, 

"At this point no research supports the widely held conviction that the gender of parents matters for child well-being."

Ora, se reconhece esta premissa como verdadeira, diga-me afinal em que se baseia para dizer isto? 

"1 - Iniciativas legislativas para que se aprove a adopção por pares homossexuais são erróneas e imprudentes porque desprezam os direitos das crianças e ignoram importantes estudos e pesquisas da área psicológica e social no que diz respeito às necessidades daquelas."

publicado por Rui C Pinto às 22:57 | link | indultar
Quarta-feira, 22.05.13

eu não queria incomodar (1)

Peço desculpa incomodar, tarde e más horas, com o meu mau humor. Venho a propósito da digna e simpática defesa de honra que João Távora faz do seu amigo Abel Matos Santos a quem afiança autoridade académica e brio profissional. Sentiu a honra do seu amigo ofendida a propósito da simples análise da Ana Matos Pires aos argumentos que aquele expôs aqui

 

Abel Matos Santos acrescentou ao seu post, cuja validade científica a Ana Matos Pires denunciou, uma lista de 12 referências bibliográficas. Tomemos, para análise, a referência 11 (Biblarz, T. J. & Stacey, J. (2010). "How does the gender of parents matter?" Journal of Marriage and Family. 72, 3-22.) que é acessível on-line aqui

 

O artigo faz revisão da bibliografia publicada sobre influência do género na parentalidade e termina com uma breve análise crítica da mesma. Na página 17, no capítulo Discussion, lê-se (sublinhados meus): 

"The entrenched conviction that children need both a mother and a father inflames culture wars over single motherhood, divorce, gay marriage, and gay parenting. Research to date, however, does not support this claim. Contrary to popular belief, studies have not shown that ‘‘compared to all other family forms, families headed by married, biological parents are best for children’’ (Popenoe, quoted in Center for Marriage and Family, p. 1). Research has not identified any gender-exclusive parenting abilities (with the partial exception of lactation). Our analysis confirms an emerging consensus among prominent researchers of fathering and child development. The third edition of Lamb’s (1997) authoritative anthology directly reversed the inaugural volume’s premise when it concluded that ‘‘very little about the gender of the parent seems to be distinctly important’’ (p. 10). Likewise, in Fatherneed, Pruett (2000), a prominent advocate of involved fathering, confided, ‘‘I also now realize that most of the enduring parental skills are probably, in the end, not dependent on gender’’ (p. 18)."

Conclui na página 18: 

"At the outset, we identified five parental variables routinely conflated by those who claim that children need both a mother and a father in order to thrive—number, gender, sexual identity, marital status, and biogenetic relationship to children. To adequately assess the impact of any one of these requires a research design that matches or controls for the others. Current claims that children need both a mother and father are spurious because they attribute to the gender of parents benefits that correlate primarily with the number and marital status of a child’s parents since infancy. At this point no research supports the widely held conviction that the gender of parents matters for child well-being. To ascertain whether any particular form of family is ideal would demand sorting a formidable array of often inextricable family and social variables. We predict that even ‘‘ideal’’ research designs will find instead that ideal parenting comes in many different genres and genders."

Ora, das duas três, ou Abel Matos Santos não sabe ler inglês, ou nos toma a todos por parvos, ou anda a gozar com a tropa, e de caminho, com o seu amigo João Távora a quem facultou a lista de referências bibliográficas. O conteúdo desta referência desmente categoricamente e sem qualquer apelo o post que assina e que publicou no Público a 16 de Maio de 2013. Este estudo considera spurious o argumento de que é indispensável uma mãe e um pai para o saudável desenvolvimento de uma criança, argumento que Abel Matos Santos desenvolve ad nauseam no seu post:

"2 -  Cada criança precisa de um pai e de uma mãe. Quando se altera o curso natural da vida é determinante o superior interesse da criança. Os estudos em ciências sociais têm repetidamente demonstrado a importância vital de ambos os progenitores, o pai e a mãe, para um ambiente saudável e positivo no desenvolvimento da criança e, os riscos que correm se criados sem um deles. A mãe e o pai trazem contribuições únicas que são essenciais para a sua saúde e bem estar."

O Abel Matos Santos sabe o que significa spurious? Talvez o João Távora possa ajudar.

 

P.S. Portugal é hoje uma grande maçada porque já vai tendo nisto da ciência alguma massa crítica. É uma chatice muito grande porque já não basta um gajo às direitas dizer "ah este meu amigo é um tipo com uma credibilidade à prova de bala e chama por tu todos os senhores doutores do Santa Maria" para obrigar os demais a vergar perante a sapiência e indiscutível seriedade de um "profissional". 

publicado por Rui C Pinto às 21:27 | link | indultar | cuscar indultos (2)
Segunda-feira, 20.05.13

água vai (1)

"Nenhum Parlamento democrático devia poder retirar o direito de qualquer criança a formar a sua identidade num quadro familiar (biológico ou adoptivo) em que estejam presentes - bem presentes - as referências masculinas e femininas necessárias ao desenvolvimento harmonioso da sua personalidade.

(...)

E, já agora, que respostas poderão os membros de um casal de homens dar a uma miúda de dois, três ou mais anos, por eles adoptada, quando ela começar a fazer aquelas perguntas a que só uma mulher sabe responder? Infelizmente, como se vê, as cadeias partem sempre pelo elo mais fraco."

daqui.

Marinho Pinto tem uma ideia muito clara de parentalidade, com marcadas referências masculinas e femininas. o pai está lá para castigar, a mãe para mimar. é evidente que tudo o que escape a um lar abençoado por uma mãe histérica e emocionalmente instável e um pai austero, ausente e, se possível, alcoólico e violento, resultará em desvios à personalidade. 

publicado por Rui C Pinto às 19:24 | link | indultar
Sábado, 18.05.13

"uma opção de modo de sociedade"

Hugo Soares, presidente da JSD, votou contra a lei de co-adopção por homossexuais. Votou, de acordo com a sua consciência, numa matéria a que foi dada liberdade de voto aos deputados do PSD. Divugou, no seu mural do facebook, uma nota de esclarecimento onde se penitencia pela aprovação da lei e onde faz votos para que a lei não seja aprovada em votação final global. Defende que a actual lei não defende o superior interesse da criança que vai contra aquela que é a sua "opção de modo de sociedade" e não se sente mandatado para a aprovação de tal lei. 

 

Vamos por partes. Primeiro, a "opção de modo de sociedade" por que se orienta Hugo Soares na sua actuação política nunca foi escrutinada pelo eleitor, pelo que não se deveria sentir mandatado a exercer o seu cargo de deputado. Segundo, esta questão nunca foi debatida, como bem reconhece, na JSD devido à constante recusa em debater questões sociais sob pretexto da premência da crise económica e financeira, pelo que deveria ter optado pela abstenção. Terceiro, fazer votos para que a lei venha a ser rejeitada em votação final global é revelador de uma total falta de solidariedade parlamentar para com os seus pares quer do PSD quer da JSD (Joana Barata Lopes) que votaram favoravelmente a lei, o que justificaria uma postura de debate construtivo na especialidade. 

 

Resta-nos indagar quanto à "opção de modo de sociedade" de que fala Hugo Soares, que não coloca em causa "a defesa dos direitos dos homossexuais" que lhe são "evidentes e indiscutíveis". Ora, o Hugo defende indiscutivelmente os direitos dos homossexuais, mas defender os direitos de uma criança que é criada no seio de uma família constituida por um casal de homossexuais é um pouco mais difícil, pois colide certamente com a sua opção e modo de sociedade. 

publicado por Rui C Pinto às 15:06 | link | indultar

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