Quarta-feira, 17.07.13

a rua é da esquerda...

... a moral e os bons costumes são de direita. 

 

A Maria Teixeira Alves considera, neste post, as abstenções e votos a favor dos deputados do PSD e do CDS [ao diploma que permite corrigir uma discriminação abjecta de crianças a quem são negados os seus direitos parentais] uma traição aos eleitores. 

 

Vai mais longe na caixa de comentários e com alguma inocência garante: "Na altura eu falei com pessoas do PSD e eles garantiram-me que não iam pôr as questões fracturantes na agenda. Ora é uma traição irem aprovar as agendas da oposição." Esta coisa de se falar com "pessoas do PSD" e essas pessoas garantirem coisas é interessante quando falamos com crianças de 5 anos que é aquela idade em que escrevemos cartas ao pai natal e pomos os dentinhos de leite debaixo da almofada. 


Vou ser muito claro. Eu sou militante do PSD já há uns aninhos. E já há uns aninhos que falo e troco umas ideias com pessoas do PSD. À Maria Teixeira Alves o PSD pode parecer uma congregação de carmelitas em clausura: gente temente (ler temerosa) a deus que defende a moral e os bons costumes e, já agora, a bravura dos navegadores das índias. Acontece que o PSD não é nada disso. O PSD é uma federação de sensibilidades que inclui gente bem mais à esquerda que os socratistas a gente bem mais conservadora que a própria Maria Teixeira Alves.


Se a Maria Teixeira Alves conhecesse o PSD saberia que Manuela Ferreira Leite, na sua primeira entrevista televisiva (de má memória) enquanto presidente do PSD, cavou uma fractura dentro do partido ao afirmar a vocação do casamento para fins de procriação. Saberia que muitos dos que rejeitaram esse discurso (nomeadamente Passos Coelho que criticou essas declarações publicamente) viriam mais tarde a assumir a liderança do partido. Saberia ainda que muitos militantes (nos quais me incluo) trabalharam arduamente para eleger Passos Coelho presidente do partido, primeiro, e primeiro-ministro, depois, conscientes do compromisso de que esta liderança do PSD daria liberdade de voto em matérias "fracturantes". É por ser militante do PSD, por ter lutado pela eleição de Passos Coelho, por ter ouvido da boca do próprio em vários eventos durante a campanha eleitoral (nomeadamente num jantar de blogers e em duas sessões de esclarecimento de jovens) que não tomaria iniciativas legislativas mas que daria liberdade de voto em matérias fracturantes que fico perplexo quando personagens como a Maria Teixeira Alves, de quem em muitos anos de militância nunca tomei conhecimento, se arrogam credores da agenda do PSD. 

publicado por Rui C Pinto às 23:08 | link | indultar | cuscar indultos (12)

no faith in the human race (1)

"não, desta vez é diferente! desta vez é amor verdadeiro" 

publicado por Rui C Pinto às 00:14 | link | indultar
Quarta-feira, 10.07.13

Em crise, salve-se quem puder

Todos se recordam do famoso artigo de opinião de Cavaco Silva, publicado nos idos de Novembro de 2004, no auge das trapalhadas do governo de Santana Lopes onde defende a separação do trigo do joio nas elites partidárias do país. Cavaco defendia então que era fundamental separar a boa da má moeda, face à [então] crescente deterioração na qualidade dos intervenientes na política nacional. 

 

Hoje, Cavaco Silva é Presidente da República e tem o poder de contribuir para a solução do problema. Portugal vive hoje uma crise política causada pela irresponsabilidade e inabilidade de dois líderes partidários que governam o país em coligação. Na liderança da oposição surge um líder igualmente inábil e com claríssimas provas de impreparação. A situação do país é demasiado urgente e os sacrifícios da sociedade demasiado gravosos para que um Presidente da República se demita das suas responsabilidades, colocando em causa as instituições democráticas. A única solução plausível a Cavaco Silva consiste na nomeação de um governo de iniciativa presidencial apoiado pelos três partidos do arco da governação com prazo de funções até Junho de 2014, mandatado para a conclusão do memorando de assistência financeira e a negociação do programa de ajuda cautelar (vulgo, 2º memorando) que permita ao país estabilizar as suas necessidades de financiamento no médio prazo. 

 

Infelizmente, receio que Cavaco Silva nos vá comunicar que em tempo de crise somos obrigados à má moeda em nome da [irrecuperável] estabilidade. 

publicado por Rui C Pinto às 19:43 | link | indultar

Da ciência

A 4 de Julho, há quase uma semana, a Ordem dos Psicólogos apresentou na Assembleia da República um relatório intitulado "Relatório de Evidência Científica Psicológica sobre Relações Familiares e Desenvolvimento Infantil nas Famílias Homoparentais".

 

As conclusões são claras e fundamentadas na bibliografia publicada. Vou citar algumas das conclusões. 

"É consensual que não existem diferenças entre as crianças provenientes de famílias homoparentais e as crianças provenientes de famílias heteroparentais no que diz respeito a aspectos desenvolvimentais, cognitivos, emocionais, sociais e educacionais.

(...)

Em resumo, as evidências científicas apontam nas seguintes direcções

- Não existe base científica para afirmar que os homossexuais femininos e masculinos não são capazes de criar e educar crianças saudáveis e bem-ajustadas; 

- Não existe fundamentação científica para concluir que os pais homossexuais ou as mães homossexuais não serão bons pais/mães apenas com base na sua orientação sexual; 

- Mulheres homossexuais e heterossexuais partilham abordagens semelhantes na educação de uma criança; os pais homossexuais não são diferentes dos pais heterossexuais no que diz respeito à sua capacidade parental e de promover um desenvolvimento saudável de uma criança. 

(...)

As evidências científicas sugerem então que decisões importantes sobre a vida de crianças e adolescentes (como a determinação da co-adopção) sejam tomadas não com base na orientação sexual dos pais, mas na qualidade das suas relações com os pais."

Estas conclusões inequívocas colidem de forma grosseira com as conclusões de Abel Matos Santos no seu artigo de 6 de Junho, no jornal i, transcrito por João Távora aqui

"Ora a vasta literatura científica apontava que assim não fosse, mas os recentes estudos mostram cada vez de forma mais evidente que as diferenças existem e são significativas.

(...)

Os resultados não deixam margens para dúvidas. As crianças criadas por pessoas do mesmo sexo têm resultados significativamente piores nas dimensões sociais, emocionais e relacionais.

Já não se pode dizer que é a mesma coisa para uma criança crescer numa família natural heterossexual ou crescer numa família monossexual."

Espero que Abel Matos Santos tenha a oportunidade de criticar o relatório elaborado pela Ordem dos Psicólogos que desautoriza contundentemente os seus argumentos. Termino citando-o: 

"Agora que o debate em torno da co-adopção e da adopção por famílias monossexuais está lançado, começam a surgir de forma evidente as motivações de cada lado e naturalmente os estudos sobre o assunto."

publicado por Rui C Pinto às 19:03 | link | indultar
Sexta-feira, 05.07.13

análise SWAT ao banco do jardim de Santo Amaro (VI)

Nunca antes um Presidente fez tanto não fazendo nada.

publicado por Rui C Pinto às 00:01 | link | indultar
Quinta-feira, 04.07.13

análise SWAT ao banco do jardim de Santo Amaro (V)

O que se passou nas ultimas 48 horas foi uma palhaçada de tal forma irresponsável que é confrangedor ouvir dirigentes do PSD e do CDS falar em estabilidade para o futuro. Os investidores por esse mundo fora já devem ter o dinheiro a queimar nas mãos para o investirem em Portugal. Cavaco Silva... Bom, nem vale a pena gastar caracteres com Cavaco.

publicado por Rui C Pinto às 23:59 | link | indultar

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