Em crise, salve-se quem puder

Todos se recordam do famoso artigo de opinião de Cavaco Silva, publicado nos idos de Novembro de 2004, no auge das trapalhadas do governo de Santana Lopes onde defende a separação do trigo do joio nas elites partidárias do país. Cavaco defendia então que era fundamental separar a boa da má moeda, face à [então] crescente deterioração na qualidade dos intervenientes na política nacional. 

 

Hoje, Cavaco Silva é Presidente da República e tem o poder de contribuir para a solução do problema. Portugal vive hoje uma crise política causada pela irresponsabilidade e inabilidade de dois líderes partidários que governam o país em coligação. Na liderança da oposição surge um líder igualmente inábil e com claríssimas provas de impreparação. A situação do país é demasiado urgente e os sacrifícios da sociedade demasiado gravosos para que um Presidente da República se demita das suas responsabilidades, colocando em causa as instituições democráticas. A única solução plausível a Cavaco Silva consiste na nomeação de um governo de iniciativa presidencial apoiado pelos três partidos do arco da governação com prazo de funções até Junho de 2014, mandatado para a conclusão do memorando de assistência financeira e a negociação do programa de ajuda cautelar (vulgo, 2º memorando) que permita ao país estabilizar as suas necessidades de financiamento no médio prazo. 

 

Infelizmente, receio que Cavaco Silva nos vá comunicar que em tempo de crise somos obrigados à má moeda em nome da [irrecuperável] estabilidade. 

publicado por Rui C Pinto às 19:43 | link | indultar