Da ciência

A 4 de Julho, há quase uma semana, a Ordem dos Psicólogos apresentou na Assembleia da República um relatório intitulado "Relatório de Evidência Científica Psicológica sobre Relações Familiares e Desenvolvimento Infantil nas Famílias Homoparentais".

 

As conclusões são claras e fundamentadas na bibliografia publicada. Vou citar algumas das conclusões. 

"É consensual que não existem diferenças entre as crianças provenientes de famílias homoparentais e as crianças provenientes de famílias heteroparentais no que diz respeito a aspectos desenvolvimentais, cognitivos, emocionais, sociais e educacionais.

(...)

Em resumo, as evidências científicas apontam nas seguintes direcções

- Não existe base científica para afirmar que os homossexuais femininos e masculinos não são capazes de criar e educar crianças saudáveis e bem-ajustadas; 

- Não existe fundamentação científica para concluir que os pais homossexuais ou as mães homossexuais não serão bons pais/mães apenas com base na sua orientação sexual; 

- Mulheres homossexuais e heterossexuais partilham abordagens semelhantes na educação de uma criança; os pais homossexuais não são diferentes dos pais heterossexuais no que diz respeito à sua capacidade parental e de promover um desenvolvimento saudável de uma criança. 

(...)

As evidências científicas sugerem então que decisões importantes sobre a vida de crianças e adolescentes (como a determinação da co-adopção) sejam tomadas não com base na orientação sexual dos pais, mas na qualidade das suas relações com os pais."

Estas conclusões inequívocas colidem de forma grosseira com as conclusões de Abel Matos Santos no seu artigo de 6 de Junho, no jornal i, transcrito por João Távora aqui

"Ora a vasta literatura científica apontava que assim não fosse, mas os recentes estudos mostram cada vez de forma mais evidente que as diferenças existem e são significativas.

(...)

Os resultados não deixam margens para dúvidas. As crianças criadas por pessoas do mesmo sexo têm resultados significativamente piores nas dimensões sociais, emocionais e relacionais.

Já não se pode dizer que é a mesma coisa para uma criança crescer numa família natural heterossexual ou crescer numa família monossexual."

Espero que Abel Matos Santos tenha a oportunidade de criticar o relatório elaborado pela Ordem dos Psicólogos que desautoriza contundentemente os seus argumentos. Termino citando-o: 

"Agora que o debate em torno da co-adopção e da adopção por famílias monossexuais está lançado, começam a surgir de forma evidente as motivações de cada lado e naturalmente os estudos sobre o assunto."

publicado por Rui C Pinto às 19:03 | link | indultar