Abel Matos Santos ou Rick Fitzgibbons?

Após escrever o meu post anterior resolvi, por curiosidade, pesquisar artigos de opinião de Rick Fitzgibbons. Deparei-me com este artigo daquele autor no site mercatornet. Encontrei, no final desse texto, a mesma lista de referências bibliográficas que Abel Matos Santos acrescentou posteriormente ao seu post. A surpresa não ficou por aqui. Existe uma coincidência de argumentos notável entre os dois textos. Atrevo-me até a dizer que Abel Matos Santos fez um exemplar exercício de tradução. Senão vejamos, coloquei a itálico o texto de Abel Matos Santos, seguido do original em inglês de Rick Fitzgibbons. 

 

1 - Iniciativas legislativas para que se aprove a adopção por pares homossexuais são erróneas e imprudentes porque desprezam os direitos das crianças e ignoram importantes estudos e pesquisas da área psicológica e social no que diz respeito às necessidades daquelas.

"Moves by legislators and homosexual activists to endorse same sex adoption are misguided. Their intentions may be good, but they are ignoring the rights of children and important social and psychological research into the homosexual lifestyle."

2 -  Cada criança precisa de um pai e de uma mãe. Quando se altera o curso natural da vida é determinante o superior interesse da criança. Os estudos em ciências sociais têm repetidamente demonstrado a importância vital de ambos os progenitores, o pai e a mãe, para um ambiente saudável e positivo no desenvolvimento da criança e, os riscos que correm se criados sem um deles. A mãe e o pai trazem contribuições únicas que são essenciais para a sua saúde e bem estar.

"The most important issue is the welfare of the child. Social science research has repeatedly demonstrated the vital importance of both a father and a mother for the healthy development of children and the serious risks that they face if they are raised without a mother or a father. Mothers and fathers bring unique gifts that are essential to the health of a child."

3 - Crianças que foram privadas, por exemplo, do cuidado materno durante longos períodos de tempo na fase precoce das suas vidas, revelaram em geral menor capacidade de sentir e de se emocionarem, tendem a criar relações superficiais, a mostrar tendências antissociais e são mais hostis ao longo do seu crescimento.

"Children who were deprived of maternal care during extended periods in their early lives “lacked feeling, had superficial relationships, and exhibited hostile or antisocial tendencies” as they developed into adulthood."

4 - Os pais têm talentos específicos. São bons a disciplinar, a brincar e a levar as crianças a enfrentar desafios. São modelos a seguir para as crianças. A sua presença em casa protege a criança do medo e fortalece a capacidade da criança para se sentir segura. A vasta investigação cientifica sobre os graves problemas psíquicos, académicos e sociais nos jovens criados em famílias sem um dos pais demonstraram a importância da sua presença em casa para um desenvolvimento saudável.

"Fathers also have distinctive talents.(7) Fathers excel when it comes to providing discipline, play, and challenging children to embrace life’s challenges. They also provide essential role models for boys. Their presence in the home protects a child from fear and strengthens a child’s ability to feel safe. The extensive research on the serious psychological, academic and social problems among youth raised in fatherless families demonstrates the importance of the presence of the father in the home for healthy child development."

5 - Os direitos e as necessidades da criança a uma mãe e a um pai devem ser protegidos pelo Estado. Os adultos não têm o direito de deliberadamente, privar uma criança de um pai e de uma mãe.

"The rights and needs of children to a mother and a father should be protected by the state. Adults do not have a right to deprive children of a father or a mother."

6 - Um estudo australiano (Children in three contexts) feito com crianças a viver com casais heterossexuais casados, com casais heterossexuais em união de facto e com pares homossexuais, revelou que os primeiros forneciam o melhor ambiente para um desenvolvimento social da criança e para a sua educação, os casais em união de facto eram os segundos e, os pares homossexuais aparecem em último.

"In 1996 a well-designed study of 174 primary school children in Australia -- 58 children in married families, 58 in families headed by cohabitating heterosexuals and 58 in home with homosexual unions – suggested that married couples offered the best environment for a child’s social and education environment. Cohabiting couples were second best and homosexual couples came last.(8)"

7 - Existem académicos e activistas que se opõem a esta evidência, apoiando-se em estudos mal feitos e metodologicamente enviesados. Dois estudos de 2010 são frequentemente citados porque defendem que as crianças que foram deliberadamente privadas dos benefícios da complementaridade na família com pai e mãe, não sofrem danos psicológicos. Contudo, os dados recolhidos são auto-informações dadas pela mãe ou pai, estando estas a par da agenda política do investigador. O que distorce os resultados.

"Not surprisingly, there are scholars who oppose this weighty evidence. Two major studies published in 2010 are often cited by homosexual activists and the media. Nanette Gartrell and Henry Bos (10) and Timothy Biblarz and Judith Stacey (11) claim that children who were deliberately deprived of the benefits of gender complementarity in a home with a father and a mother suffer no psychological damage."

8 - Muita da investigação feita com pares homossexuais tem graves falhas metodológicas. É muitas vezes dito que não existe evidência de que as crianças são prejudicadas e agredidas emocionalmente se forem criadas por pares homossexuais.  Mas a ausência de evidência não prova que não exista. Quer apenas dizer que não existe evidência.

"Much of the research on same-sex couples tends to have serious methodological flaws. It is often argued that there is no evidence that children are harmed if they are raised by homosexual men. This is true, but the absence of evidence does not prove the case. It means that there is no evidence."

9 - As crianças têm o direito e a necessidade à parentalidade conjunta por um pai e uma mãe. De acordo com um dos maiores psiquiatras americanos (Fitzgibbons), as relações homossexuais não fornecem o ambiente ideal para que se possam criar e educar crianças, por várias razões: Primeiro, os pares homossexuais tendem a ser mais promíscuos. Um dos mais abrangentes estudos com pares homossexuais (The Male Couple), revelou que apenas 7 de 156 pares homossexuais tinham um relacionamento sexual exclusivamente monogâmico. A maioria destas relações duraram menos de 5 anos. Segundo, as uniões são muito frágeis. A probabilidade de quebra da relação é elevada nos pares de lésbicas. No estudo de 2010 (US National Longitudinal Lesbian Family Study) 40% dos pares que tiveram um filho (por inseminação artificial) tinham-se separado.

"Same sex relationships do not provide an ideal environment in which to raise children for several reasons.

First, same sex couples tend to be promiscuous. One of the largest studies of same sex couples revealed that only seven of 156 couples had a sexual relationship which was totally monogamous. Most of these relationships lasted less than five years. (...)

Second, the unions are very fragile. The probability of breakup is high for lesbian couples. In a 2010 report, the US National Longitudinal Lesbian Family Study, 40 percent of the couples who had conceived a child by artificial insemination had broken up.(3)"

10 - Privar deliberadamente uma criança da possibilidade de ter um pai e uma mãe magoa e faz mal à criança. As crianças adoptadas, em geral, vivenciam traumas de abandono precoce, na fase inicial das suas vidas e, devem ser protegidas de um trauma adicional como seria esta cruel experiência social.

"Deliberately depriving a child of a father or a mother harms the child.(12) Social science research supports this view. Adoptive children have experienced early-life abandonment trauma and should be protected from the additional trauma of being exposed to a cruel social experiment."

Estarão os direitos dos homossexuais acima das necessidades e direitos da criança a uma mãe e a um pai? Quem protege estas crianças?

Will no one step forward to protect these children?

 

O mesmo se passa com o post de esclarecimento que me endereçou, onde se limitou a traduzir os restantes parágrafos do artigo que não tinha incluído no primeiro post. Fica, assim, claro o empenho de Abel Matos Santos no debate científico desta matéria. Pergunto-me mesmo se leu algum dos artigos citados naquela lista de referências bibliográficas, como afiança no post que me dirigiu.

"Abaixo as referências dos estudos que consultei."

Pergunto-me se conhecia o autor do texto e o seu descrédito científico nos Estados Unidos, antes de o apelidar "um dos maiores psiquiatras americanos".

 

Da minha parte sou obrigado a desconsiderar a posição de Abel Matos Santos neste debate e espero que se retrate deste pequeno episódio lamentável, para não adjectivar com maior gravidade. Desde logo, julgo de elementar bom senso (e prova de boa fé do seu lapso) colocar uma referência ao autor original do texto que traduziu nos sítios onde o publicou, nomeadamente nos posts do corta-fitas e no jornal público. Não vou tecer nenhuma consideração pessoal em relação ao psicólogo Abel Matos Santos e dou por terminado um debate que se queria esclarecedor e científico mas que foi, na verdade, um debate, por interposta pessoa, entre mim e o Rick Fitzgibbons. Deixo uma última palavra ao João Távora, para que munido da informação que aqui recolhi, tome o peso às suas próprias palavras e reconsidere o post que endereçou à Ana Matos Pires

publicado por Rui C Pinto às 02:00 | link | indultar